
Deixa-me
te amar de qualquer jeito;
Arranca, pois, de mim, esta vontade,
Esmaga para sempre esta saudade
Que amarga como fel dentro do peito...
Faze,
então, de mim brisa serena
Roçando o teu corpo levemente,
Deixando que este amor tão de repente
Mostre que a loucura vale a pena.
Arranca-me
dos lábios o doce mel,
A seiva que alimenta este prazer
E faze-me sentir subindo ao céu!
Não me deixes vagando, assim, ao léu,
Mostra-me com malícia o que é viver,
Descerra do teu corpo a veste, o véu...
Quero hospedar-me em você.
Antonio
Manoel Abreu Sardenberg
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